''Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler.''
''Eis um pequeno fato: Você vai morrer.''
A história é narrada pela Morte, que começa o livro se apresentando. Ela nos revela todas as suas qualidades e seus defeitos, explica a importância de notarmos as cores do dia, nos diz que superestima e subestima a raça humana, e confessa também que, às vezes, a curiosidade a vence e ela acaba se interessando demais por um de nós. Uma dessas pessoas que conquistou a total atenção de nossa narradora, foi Liesel Meminger, e a Morte considera a sua história como ''uma dentre a pequena legião que carrego, cada qual extraordinária por si só. Cada qual uma tentativa - uma tentativa que é um salto gigantesco - de me provar que você e a sua existência humana valem a pena.''. A Morte encontrou nossa pequena roubadora de livros três vezes e, mesmo depois de tanto tempo, ela jamais esqueceria quais eram as cores do céu naqueles respectivos momentos.
Em janeiro de 1939, quando Liesel ainda tinha apenas 9 anos, ela via seu irmão mais novo, Werner, falecer enquanto os dois estavam com sua mãe em um trem que os levaria para uma vida nova. Aquela era a primeira vez em que Liesel se encontrava com a morte, e o céu era branco como se o globo inteiro estivesse vestido de neve.
No enterro do irmão foi a primeira vez que Liesel roubou um livro - O Manual do Coveiro -, sem saber o quanto as palavras mudariam sua vida. Após a triste despedida de sua mãe, Liesel foi levada para sua nova casa na rua Himmel, onde conheceu seus novos pais de criação: Hans e Rosa Hubermann. Hans é um homem alto com um acolhedor olhar prateado, um leve cheiro de cigarro e tem a capacidade de fazer um acordeão respirar junto com ele, e Liesel logo sentiu que poderia confiar nele. Já com Rosa as coisas foram um pouco mais complicadas, a pequena mulher com formato de guarda-roupa e rosto de papelão não foi muito receptiva, e parecia gostar muito de insultar a menina com palavras como Saumensch e Arschloch. As primeiras semanas foram ruins, Liesel sentia saudade da mãe e tinha terríveis pesadelos com seu irmão, mas Hans estava sempre lá para confortá-la e ela já até se acostumou com os xingamentos de Rosa.
As coisas começam a melhorar quando Liesel conhece Rudy Steiner, o menino da casa ao lado que tem os cabelos da cor de Limões. Liesel e Rudy passavam grande parte do tempo juntos jogando futebol na rua Himmel, apostando corridas, andando pela cidade de Molching e, às vezes, roubando algumas maçãs e batatas com um bando de garotos que estavam com tanta fome quanto eles. Na primeira vez em que os dois apostaram uma corrida no campo onde uma vez Rudy Steiner se pintou todo de preto com carvão, o menino apostou um beijo com Liesel, caso ganhasse a corrida... Ao alcançarem a ''linha de chegada'', os dois tropeçaram juntos e acabaram cobertos de lama. E sem nenhum beijo. Liesel se recusava a beijar aquele Saukerl imundo, mas Rudy não iria desistir.
Em uma das noites em que Liesel sonhou com seu irmão, Hans - o Papai - descobriu O Manual do Coveiro escondido debaixo do colchão da menina. Nenhum dos dois sabia ler muito bem, por isso os dois deram início às Aulas da Meia-Noite, que acontecia toda noite depois que a menina acordava de seus pesadelos, e assim, pai e filha aprenderam a ler os livros roubados de Liesel Meminger. A aproximação com sua Mamãe aconteceu graças às caminhadas para buscar/entregar as roupas para lavar/passar.. Toda semana as duas iam juntas até as casas das famílias mais ricas da cidade, uma delas era o número 8 da Grande Strasse, a casa do prefeito, com uma porta tão larga e pesada que causava medo em Liesel, e onde elas eram atendidas pela frágil e quieta mulher do prefeito: Ilsa Hermann.
Em abril de 1940, Liesel encontra sua segunda oportunidade de roubar um livro. É o aniversário de Hitler, e para comemorar irão acender uma fogueira para queimar qualquer coisa que possa 'sujar' sua nação. Nessa noite Liesel entendeu porque levaram sua mãe embora, e foi também nessa noite que surgiu sua raiva pelo Fuhrer. Ao término da comemoração, enquanto os soldados recolhiam as cinzas produzidas pela enorme fogueira, Liesel viu um objeto caindo do interior das cinzas e, quando achou que ninguém a estava olhando, ela se abaixou e salvou o livro que contava a história de um judeu, e apenas quando estava indo embora foi que ela percebeu: havia sim alguém a observando. Depois disso, Liesel evitava ao máximo se aproximar do número 8 da Grande Strasse, até que ela preferiu enfrentar a mulher do prefeito do que a Mamãe dela. Para a surpresa de Liesel, Ilsa Hermann não mandou que a prendessem, mas a convidou para entrar e apresentou à Liesel uma sala repleta dos mais diversos livros, de todos os tamanhos e cores! Liesel passaria muitas tardes lendo no chão dessa biblioteca, e mais tarde passaria a entrar pela janela para roubar alguns livros.
Em novembro de 1940, surgia outro personagem que mudaria a vida de Liesel e lhe ensinaria o valor das palavras: o judeu-alemão Max Vandenburg, com cabelos que ora pareciam gravetos, ora pareciam penas. O pai de Max salvou a vida do pai de Liesel uma vez, e agora Max esperava que Hans o ajudasse a escapar dos nazistas e sobreviver. Max e Liesel eram parecidos em muitas coisas, mas o que fortaleceu de verdade a amizade dos dois foram os sonhos e as palavras. Durante os dois anos em que Max ficou escondido no porão do número 33 da rua Himmel, ele contou sua história para Liesel e escreveu dois livros para ela: O Vigiador e A Sacudidora de Palavras. Os dois se tornariam alguns dos livros preferidos de Liesel, e foram o que restou de Max quando as bombas começaram a se aproximar de Molching e ele precisou partir.
Após a partida de Max, ocorreram mais alguns roubos de livros e Liesel passou por diversas experiências, e então chegou o dia que os judeus passaram a desfilar pelas ruas de Molching enquanto iam para o campo de concentração em Dachau. Em um desses desfiles, Hans Hubermann entra na multidão maltratada e oferece um pouco de pão para um homem idoso, e como castigo ele é convocado para a Guerra, mas depois de um tempo consegue tapear a Morte pela segunda vez e volta para casa. Na mesma época, Rudy era considerado o melhor aluno de sua turma da Juventude Hitlerista, e por isso o queriam para um novo 'super exército' de meninos alemães, mas no treinamento ele deveria passar por obstáculos que talvez até tirassem sua vida, por isso seus pais não permitiram que ele fosse, e por isso seu pai acabou sendo convocado para a guerra. Com a ausência dos dois pais, Rudy e Liesel se uniram ainda mais, e o sentimento do menino por ela se tornava cada vez mais aparente. No dia em que os judeus estão desfilando por Molching e Liesel avista o olhar alagadiço de Max no meio da multidão, ela corre até o amigo e depois é agredida por um dos soldados, e é Rudy quem fica ao lado dela e impede que ela apanhe ainda mais. Quando Liesel finalmente conta a verdade sobre Max, Rudy a escuta e não a julga em momento algum, e nesse momento Liesel deseja que ele peça um beijo a ela, mas já é tarde demais.
Em meados de agosto de 1943, Ilsa Hermann - que sempre esteve ciente dos roubos da menina e notou sua ausência -, fez uma visita ao número 33 da rua Himmel e entregou à Liesel um caderno preto com todas as folhas em branco, para que Liesel pudesse escrever sua própria história. É graças a esse caderno que Liesel sobrevive na noite em que as bombas atacam Molching e a Morte visita a rua Himmel. Liesel estava escrevendo sua história no porão, onde acabou adormecendo, e quando ela acorda em um lugar que não pode mais ser a rua Himmel, ela se depara com um céu vermelho e com os corpos das pessoas que ela mais ama. Com o desespero tomando conta dela, a menina deixa o caderno com sua história largado em algum canto, e é aí que a Morte tem a oportunidade de se apoderar do objeto e depois nos contar essa história incrível!
Além dos personagens e momentos citados, existem outros que também são extremamente importantes e tocantes na história.. Momentos como o Rudy entrando num rio quase congelado para salvar um livro de Liesel; Rudy causando um sorriso no rosto de um soldado inimigo em seu último suspiro; Max abandonando a sua família; Rosa demonstrando o quanto sente falta de Hans; entre outros. Personagens como Tommy Muller, Frau Holtzapfel, Arthur Berg e muitos outros, cada um com uma história única e extraordinária! E ao longo do livro a Morte também narra acontecimentos de outros lugares onde a guerra está acontecendo, e é uma narração fantástica, que prende você e faz com que você se sinta culpado por tudo o que aconteceu! É impossível sentir toda a emoção dessa história com um resumo, só lendo vocês conseguirão vivê-la e compreende-la.
''Uma última nota de sua narradora: Os seres humanos me assombram.''Eu nunca irei me cansar de reler esse livro, porque ele é maravilhoso! Como a história se passa na Segunda Guerra Mundial, o sofrimento dos judeus - e dos alemães, também - é retratado em cada página de uma forma forte e triste demais.. Eu leio aquelas frases e me pergunto como a humanidade tem coragem de fazer certas coisas contra ela mesma! Mas também tem momentos adoravelmente apaixonantes que sempre me fazem perceber que ainda existe algo bom no mundo. *-*
E como eu já disse: só lendo o livro pra você sentir e entender completamente tudo pelo que os personagens passaram (lembrando sempre que os personagens são fictícios, mas pessoas de verdade realmente passaram por todos os momentos terríveis citados na história). :(
Espero que vocês tenham gostado da resenha e, se ainda não leram esse livro, LEIAM e REFLITAM sobre a história e sobre as atitudes. Ah, tenham sempre um lenço ao lado de vocês e se preparem para a fortíssima ressaca literária! :)

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